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sexta-feira, 1 de maio de 2009

Meditação de um 5° Kyu - Sefirat ha Omer 2009 - Dia 23

"Aikido é União"
Disciplina na Tolerância

Hoje discorrerei sobreo Nikkyo. Ou segunda técnica ou segunda fase de desenvolvimento. O nikkyo constitui-se do aprisionamento da mão do oponente com uma mão e torção do antebraço deste com a nossa outra mão livre.

É uma técnica que garante bastante resultado físico já que trabalha no limiar da dor do oponente, portanto ele logo desiste do ataque inicial. Nikkyo pode ser seguido por uma imobilização ou por uma projeção (por exemplo um kotegaeshi).

Nikkyo ou segunda etapa. Se Um era o Ponto. Dois é a reta. É a construção de uma ponte que permitirá ligar duas realidades. Se um era a união. O ser único. Dois é o auto-reconhecimento. É o Ser reconhecível como individualidade. É, segundo pitágoras, o primeiro número feminino. Portanto representa EVA, a mulher da criação. O instinto, o profundo, o intuitivo. Dois é a concentração de energia para a sua utilização posterior. É a primeira energia após a criação. Na Bíblia, é a dualidade de Jesus (e do ser humano por consequencia) Deus e homem. São os opostos. Cima e abaixo. Esquerda e direita. Sol e lua. Kether e Malkuth.

Na cabala , a seguinda sefirah é Hokhmah, a emanação primeira, é a Sabedoria divina pela qual a deidade se conhece a Si Mesma, e permite a todo ser reconhecer a Unidade em seu interior.

Note que a ordem é ikkyo, depois nikkyo. União depois individualidade. Ao reconhecer-mo-nos como um só ser mesmo separados fisicamente do tudo.

"Foi meu coração que escolheu esta jornada" - FMA

Difícil é nos libertarmos de maus hábitos, mas não é impossível...

O monge perguntou ao Mestre: "Como posso sair do Samsara (a Roda de renascimentos e mortes)?" O Mestre respondeu: "Quem te colocou nele?"

domingo, 19 de abril de 2009

Meditação de um 5° Kyu - Sefirat ha Omer 2009 - Dia 11

"Aikido é Energia"
Tolerância à Disciplina

Tolerar com disciplina e amor é uma das mais difíceis tarefas a nós requisitadas. Para tolerar com sinceridade você deve colocar seu ego de lado, aceitar que você não está certo de tudo e que não é o centro do mundo. Hoje fui num excelente seminário de aikido em outra cidade. Vinha de uma noite anterior com náuseas e vômitos, mas decidi ir assim mesmo, para poder ter chances de interagir com outros aikidocas de outras cidades. Além de tudo, após fazer (até agora) estes exercícios do sefirah ha omer tem me acontecido coisas muito estranhas: coincidências (ou sincronicidades) além de, pelo que acho, estar acontecendo um expurgamento de algo muito ruim de meu corpo, pois de uns dias pra cá tenho dado aftas, dores no estômago, problemas fígado e digestão, minha rinite atacou brava e virou um gripe (que não pego a anos), tá saindo bolhas de minhas mãos, não estou dormindo bem, tem me dado cefaléas (e meus exames estão normais), enfim, não sei se é do exercício mas as coincidências me deixar encafifado.

Continuando, no fim do seminário, fomos convidados para um churrasco. Um amigo e eu não quisemos ir (ele por compromisso e eu por estar passando mal), uns quatro se manifestaram que queriam ir e os outros "de boa" com qualquer decisão. Óbvio que meu amigo e eu não iríamos empacar a festa dos outros e decidimos ir embora de ônibus. Os outros, por camaradagem, decidiram ir embora também. Uma dessas pessoas (pelo menos sincera) revoltou-se e disse : "estamos indo embora porque VOCÊ DOIS não querem ir". Meu amigo disse que não estava obrigando ninguém a ir embora e que nós iríamos voltar de ônibus sem qualquer remorso. No que a pessoa disse"viemos juntos, voltamos juntos".

Bem, são milhares de situações parecidas ou que levam a um desfecho onde você pode escolher entre duas opções: Sim e Não. Foi me dada esta opção. Neste caso escolhi o Não e responderia por essa decisão. Meu amigo idem. Porém é difícil ouvir o não. Estamos sempre preparados para o positivo (ou queremos estar convencidos disso). Não nos preparamos para o adverso, para o contrário, para a negativa. Estávamos num seminário de aikido, onde pressupunha harmonizar-se com a energia oponente e reconduzi-la a paz. Aparentemente a situação estava resolvida de qualquer jeito, mas o comentário feito a nós dois, me fez pensar na sinceridade dessa harmonia.

E fico a pensar quantas situações eu discordava e ficava magoado por não aceitarem o meu sim. (pois também fiquei magoado com a revolta da pessoa, então eu não sou diferente dela). Por eu ter recusado o Não alheio. Por que, minha pessoa, seja ontem ou hoje, não consegue ser tolerante com o diferente de meu pensamento? Precisei passar por essa situação para poder me auto-avaliar e com certeza, se eu estivesse bem de saúde, iria querer ficar para o churrasco e ficaria nervoso com meu amigo que queria ir embora. No fim, isso fez questionar a minha tolerância para com as diferenças. Vi num livro ( A Lógica do Cisne Negro) que não estamos preparados para o inesperado, que achamos que não existe um cisne negro baseado apenas porque não vimos um.

O aikido prepara-nos para sermos tolerantes. Para esperarmos o inesperado. Para harmonizarmos com quaisquer energias seja do céu ou da terra. É só questão de pararmos de vez em quando e meditarmos. Trabalhando nossos defeitos ao mesmo tempo que experimentamos novas qualidades inatas em nosso ser.

Quero agradecer ao colega que foi sincero com seus sentimentos e me fez ver que, ainda, não consigo me harmonizar com o meio. Ao chegar aqui na minha cidade, pedi sinceras desculpas (exercíco do dia) e segui em frente pois, espero, uma nova chance de fazer a escolha correta e a fala correta me será dada. Espero trabalhar minha tolerância e disciplina sem parecerem forçadas, mas emandas tão naturalmente que não haja diferenças no que sinto e no que eu expresso.

Onegai shimasu.

Sidarta Gautama passou dias a jejuar embaixo da árvore Boddhi. Estava com muita fome. Até que uma mãe e sua filha passaram por ele e imaginaram que ele fosse um Deva. Ofereceram-lhe um punhado de arroz, reverenciam-no e foram embora. Sidarta olhou aquele prato e o comeu sem sentir-se pecador. Neste momento, iluminou-se.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Meditação de um 5° Kyu - Sefirat ha Omer 2009 - Dia 09

"Aikido é Energia"
Disciplina na Disciplina

Estava lendo um artigo a respeito do grande samurai Myamoto Musashi. Diz, o artigo, que na juventude ele era rebelde e selvagem, e, com a ajuda do seu tutor, um monge, adquiriu paz de espírito e inicou a jornada que o levou a ser a lenda que é hoje. Claro que diz o ditado "todo ídolo tem pés de barro", mas história de transformações do negativo para o positivo sempre nos emocionam. É como se existisse uma reverberação interna que ressoasse ao ouvirmos tais histórias. E, por lógica, se reverbera é porque temos este mesmo ideal dentro de nós mesmos.

Creio que estamos em tempos difíceis de achar heróis que nos movam para ideais melhores, para atitudes mais dignas e honrosas. Vemos muito "salve-se quem puder", a doutrina da "lei de Gérson" etc. Vive-se de glórias efêmeras, de títulos passageiros... não há busca por temas sublimes e eternos. Nesse contexto as artes marciais, pelo menos no que li, nos brindam com inúmeras figuras heróicas e dedicadas. que pelo trabalho duro e persistente atingiram a iluminação pelo caminho do Budô.

Esse caminho requer disciplina, treino, dedicação e atitudes nobres. Mesmo em ocasiões difíceis. Pelo que se lê até mesmo os samurais com seu código de honra cederam às dificuldades num tempo em que sua "utilidade" (entendam num sentido prático) estava decrescendo. Tornaram-se ronins e bandidos.

Ora, podemos pensar, se até samurais sucumbiram o que dirá de nós? Mas eis que penso que no meio de tantos maus exemplos sempre há bons para contrabalancear, mesmo que suas histórias não seja contadas. Sempre exitirá aquela pessoa disposta ao sacrifício pessoal em nome de um ideal/bem maior. Para o treino da moral creio ser necessário muita disciplina, leitura e organização/ação. E , vixe, como sou desorganizado, meu quarto é uma bagunça. Antes usava o argumento "científico" que no caos existe ordem.. mas convenhamos.. isso não cola muito.. embora em alguns momentos seja verdade!!!

Tenho o dever e compromisso de tornar-me mais disciplinado e organizado tanto no aikido quanto nas tarefas cotidianas de minha vida. Disciplina preenchida com amor, justiça, beleza, honra, bondade etc.

Termino aqui com uma frase de Bertold Bretch
"Há homens que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons, mas há os que lutam toda a vida e estes são imprescindíveis."

Onegashimás

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Meditação de um 5° Kyu - Sefirat ha Omer 2009 - Dia 08

"Aikido é Energia"
Bondade na Disciplina


Creio que o amor seja a forma de energia mais sublime que possamos desenvolver. Porém tudo é energia, provém da energia e transforma-se pela energia. O Aikido é uma das formas que se transforma a energia. É, para mim, a pedra filosofal que me faltava. está transformando o chumbo de meu Ego no ouro de meu Espírito. Transforma pela energia acumulada minha mais do oponente e direciona-a a um ponto equidistante entre o Amor e a Harmonia com o fim de não haver separação entre eu e o oponente. Com isso desce o véu que encobre os olhos do Ego. Não existe Eu, não existe Oponente. Existe somente Deus/Kami/Energia fundamental.

Porém, deve-se pensar, se Aikido é amor, por que ele é uma arte Marcial. Ora, marcial vem de Marte, o Deus da Guerra (Ares em Grego). Todas os mitos de guerreiros (sejam deuses ou não) como Ares, Atena, Hórus, Thor e etc.. são símbolos de uma parte inerente nossa que é a Disciplina. Simbolizam os liites dados às nossa conquistas e à vigia destas.

Ares é mais sintonizado como o deus da guerra selvagem, imprevisível e Atenas com a deusa da guerra estratégica. são símbolos da disciplina que temos que ter sobre nossos instintos. De domá-los a fim de que reajam na maneira certa frente a uma imprevisibilidade ou acontecimento premeditado (por nós) e calculado.

Mas como podemos responder com amor a um ataque à nossa pessoa? Com treino (já dito antes - disciplina) a fim de polir nossa intuição frente ao mundo. Quando a consequência do amor retribuído por nós a um ataque parece uma punição, não devemos olhar com olhos acusativos. Punição (justa) é uma das faces do amor. Mostramos que nosso amor tolera a toda humanidade mas não a todo comportamento desta. Queremos ser seres humanos melhores porém também queremos que a humanidade também seja melhor. Buddha dizia que existia dois tipos de pessoas que bsucavam a iluminação: aqueles que seguiam seus estudos sozinhos não importando com os outros e aqueles que atrasavam a sua iluminação para que levassem outros no dharma (a esses era dado o nome de Bodisatvas).

Creio que o Aikido seja um Bodisatva-Do, já que nossa evolução não se processa solitariamente. Expandimos nosso amor como nage/uke a todo a humanidade. amor este guiado pela disciplina. Com simbolismo em personagens guerreiros... talvez daí o-Sensei fizesse preces a um Kami de Guerra, pois sabia que a energia conduzida com disciplina também seria um dos aspectos do Amor.

É somente uma amostra de que a marcialidade também pode ser uma das facetas do Amro que podemos dirigir à humanidade. Quando a justiça torna os seres viventes melhores.

E justiça leva a julgamento. Talvez seja necessário direcionarmos nossos julgamento às falhas (nossas de e de outrem) com amor e disciplina (nos termos ants descritos) não com o intuito de nos satisfazermos co as falahs alheias e sim como um espelho onde enxergamos no outro a nós mesmo. Daí o-Sensei , às vezes, ser representado como um kami posuindo os trêstesouros sagrados : a Espada pacificadora, a Jóia da perfeição e o Espelho da iluminação.

Como diria um sábio (não lembro o nome): "Cada floco de neve de uma avalance declara-se não culpado"

Onegashimás