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quinta-feira, 21 de maio de 2009

Meditação de um 5° Kyu - Sefirat ha Omer 2009 - Dia 43

"Aikido somos Nós"
Bondade na Nobreza

Estava conversando com um de meus senseis (tenho a honra de ter vários!!!) sobre o uso da palavra oponente/outro/inimigo/adversário/uke em meus textos no blog. Após meditar acerca de suas palavras creio ser o momento após vários posts de esclarecer estes conceitos que em suma não existem fora de nossa própria mente. Comecemos então pela descrição da palavra EGO:

Ego é o centro da consciência inferior, diferente do Eu que é centro superior da consciência. O Ego é a soma total dos pensamentos, idéias, sentimentos, lembranças e percepções sensoriais. É a parte mais superficial do indivíduo, a qual, modificada e tornada consciente, tem por funções a comprovação da realidade e a aceitação, mediante seleção e controle, de parte dos desejos e exigências procedentes dos impulsos que emanam do indivíduo. Obedece ao princípio da realidade, ou seja, à necessidade de encontrar objetos que possam satisfazer ao id sem transgredir as exigências do superego. Quando o ego se submete ao id, torna-se imoral e destrutivo; ao se submeter ao superego, enlouquece de desespero, pois viverá numa insatisfação insuportável; se não se submeter ao mundo, será destruído por ele. Para Jung, o Ego é um complexo; o “complexo do ego”. Diz ele, sobre o Ego: “É um dado complexo formado primeiramente por uma percepção geral de nosso corpo e existência e, a seguir, pelos registros de nossa memória! (wikipedia)


O Eu é o centro da consciência superior, é a soma total dos pensamentos, ideias, sentimentos, lembranças e percepções sensoriais, extra-sensorial, e não-sensorial. Representa os impulsos instintivos da personalidade na sua mais baixa representação, reservatório inicial da energia psíquica.

Não vou entrar aqui em discussões se nascemos egoístas ou se tornamo-nos egoístas. Pesquisadores como Richard Dawkins postulam que nscemos egoístas e que o altruísmo que é uma característica desenvolvida pela raça humana. Para refutar, simplistamente, esta idéia posto este vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=OAYBwULTyik .

Muitos treinam aikido buscando somente a marcialidade 9seja como técnica de defesa, pra dar "toco" em outras pessoas etc.) e deixam de lado o lado filosófico da arte. Até mestres renomados de aikido já partiram pra este pensamento (vide Tomiki sensei). Não tenho dúvida que se tornarão exímios praticantes. Mas penso comigo, mas esse aikido é um aikido que é praticado somente externamente quando creio que O-Sensei buscava por meio do aikido atingir um estado de comunhão do ser humano com a natureza.

Quando se busca o aikido, que momentaneamente chamarei de "aikido interior" , busca-se uma maneira (de outra mil existentes) de eliminar-se o Ego/Eu que nos separa do mundo. O Ego é o que nos diferencia um dos outros. É o momento que o Eu percebe-se diferente do Nós. E a filosofia do aikido, pelo menos em teoria, é o oposto, a descentralização do Eu em busca de uma União para como Universo. Pode-se até ter em mente alguma frase de O-Sensei (não sou especialista em sua vida) que realce algum fato egóico, porém creio que tenha sido antes dos eventos da Segunda Guerra, antes de O-Sensei entrar em plena comunhão com a natureza e com o Universo, antes de ressaltar o aspecto "fuído" do aikido.

Lembro (e sou lembrado por meus senseis) de algumas cenas do filme "O Último Samurai" onde o ator Tom Cruise mentaliza o que ocorrerá antes de uma luta. Essas cenas são emblemática pois retratam exatamente o que acontece a cada segundo de nossa vida. Toda divergência, toda luta, todo sofrimento ocorrem somente em nossa mente. é a luta o Eu tentando sobressair-se sobre o Nós. É o momento chave onde ocorre o "aikido interior". O momento em que realmente ganhamos ou perdemos uma luta. Não por derrotarmos alguém na prática e sim porque conseguimos nos desvincular das armadilhas do Ego, porque conseguimos sentir e vivenciar a Harmonia e Energia tão falada por O-Sensei (alguns podem até pensar que a energia é o barulho da queda do uke no chão, mas tenho certeza que não é isso... rsrsrs).

Quando coneguimos exercitar e vivenciar o "aikido interior" percebemos que não existe um INIMIGO/ADVERSÁRIO/OPONENTE/UKE, existe somente a noção errôneo do EU-ELE(S).
Daí percebemos que não existe um "aikido interior" porque a noção de interior é uma armadilha do Ego (novamente ele) que tenta sempre nos incutir o pensamento de oposição/separação. E aikido é União (vide a técnica mais importante, Ikkyo).

Quando meditamos e encontramos o sentido filosófico do aikido, percebemos que Uke não é um adversário/oponente/inimigo e sim o AMOR (vide a frase de O-Sensei que "aikido é amor"). Diferente de outras artes marciais que enfatizam a existem do oponente/inimigo e sua intenção da de harmonizar-se com ele e sim destruí-lo anulá-lo (mesmo que em teoria algumas enfatizem que não inicam combates, mas na prática competitiva isso se vê de maneira diferente...).

Não estou aqui menosprezando as outras artes marciais. É que, se estudarmos a filosofia do aikido, e sua não-competitividade, difere-se de maneira oposta a estas artes marciais. Buda dizia que existem dois tipos de pessoas. Aquelas que procuram iluminar-se sozinhas e outra que têm tanta piedade dentro de si que não conseguiriam alcançar a iluminação enquanto TODA a humanidade não estivesse iluminada, a estes últimos damos o nome de Bodisatvas. Creio que o Do (caminho) do aikido seja mais perto do segundo exemplo.

AMOR porque Uke é uma pessoa que nos ama tanto que cede seu corpo para que possamos encontrar o caminho da União (ou para os budistas a Iluminação). Não existe aikido sem Uke, não porque necessitamos de alguém para simular o ataque de Outra pessoa e sim para simular o ataque do nosso Eu contra NÓS mesmos. Daí que sempre devemos cuidar da saúde e integridade do Uke pois ele cede sua alma/intenção para que possamos nos LAPIDAR. Creio que não seria errôneo falar que, em termos budistas, Uke seria o Bodisatva do aikido. Ele não atinge a iluminação para que todos possamos atingir também.

Quando buscamos a harmonia como Universo, a marcialdiade do Aikido vem naturalemente. Mesmo porque somos seres imperfeitos e na luta contra a existência do Ego, até atingirmos o estado de iluminação sempre externaremos nossos sentimentos em outras pessoas e,provisoriamente, precisamos nos defender de um mundo que ilusoriamente nos oprime e ataca a todo momento (mesmo que essa ilusão venha em forma bem física/material !!!).

Enfim, esse post veio mais para corrigir alguma palavra que tenha ficado mal colocada em meus posts anteriores, principalmente porque citei várias vezes as palavras adversário/oponente/inimigo/outro e tenha associado erroneamente com a palavra Uke. Fica aqui então como sendo um elogio à figura do Uke que cede seu corpo, seu amor, de maneira que possamos nos tornar seres humanos melhores.

Onegai shimasu

PS: Cito aqui o Budismo pois, para nós, talvez seja bem menos complicado de entender (já que está no imaginário coletivo brasileiro) do que o Xintoísmo, religião oficial do Japão (religião de O-Sensei junto com a Oomoto). Mesmo que seja difícil eliminar o ego o budismo nos ensina a pelo menos purificá-lo. Já é algo de extraordinário feito para a nossa curta vida física momentanêa atual!!!

PS2: Para um texto mais bem elaborado acerca do Ego vide um texto de Osho: um cara considerado louco por uns, santo por outro, ma sem sombra de dúvida, um grande incentivador de pensamentos, publicado no site (excelente) Saindo da Matrix: http://www.saindodamatrix.com.br/archives/2002/12/o_ego_1.html

"Não ha maior ego do que o daquele que se julga acima dos outros por ter domado o ego. Ao dominar o ego, ao buscar a transcendência e negar o mundo, ele comete o maior EGO de todos: Achar que não tem ego, e que está além do mundo em que vive". OSHO ... <<-----Paradoxo com meu texto? E quem disse que a vida não é um paradoxo??? rsrsrsrsrs É só pra compreender que não há crescimento sem oposição, mesmo momentânea, mesmo ilusória!!! rsrsrssrs

Certa vez o mestre taoista Chuang Tzu sonhou que era uma borboleta, voando alegremente aqui e ali. No sonho ele não tinha mais a mínima consciência de sua individualidade como pessoa. Ele era realmente uma borboleta. Repentinamente, ele acordou e descobriu-se deitado ali, uma pessoa novamente. Mas então ele pensou para si mesmo:"Fui antes um homem que sonhava ser uma borboleta, ou sou agora uma borboleta que sonha ser um homem?"

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Meditação de um 5° Kyu - Sefirat ha Omer 2009 - Dia 12

"Aikido é Energia"
Humildade na Disciplina


Creio que uma das qualidades do aikido seja estabelecer a humildade na hora de julgar alguém. Imagino uma situação onde não seja pedido (ou necessário) meu julgamento porém o faço por simples egoísmo. Ou mesmo quando pedido o egoísmo é a base pela qual meço as pessoas. Óbvio que isso não resultará em algo bom. O aikido por não ter um "ataque" clássico reserva-nos um tempo para medir as nossas ações. E sabendo que açõs geram reações isso é de vital importância nos nossos julgamentos.

Quando deixo de lado o ego ao analisar uma situação, predisponho-me a conciliar-me com energias superiores as quais, creio firmemente, esclarecerão melhor os aspectos da desarmonização. E quando num ataque marcial, deixo de lado meu ego, integro-me com o kami, a técnica fluirá e será conduzida a um aspecto imparcial e justo. Pois, pelo que entendi até aogra, não há vencedores ou perdedores no aikido.

Então uma questão básica a ser trabalhada: somente julgar quando neessário e de maneira livre do ego. Um longo e árduo trabalho tenho pela frente.

Onegai shimasu

"Um novo estudante aproximou-se do mestre Zen e perguntou-lhe como elepoderia absorver seus ensinamentos de forma correta."Pense em mim como um sino," o mestre explicou. "Me dê um suavetoque, e eu irei lhe dar um pequeno tinido. Toque-me com força e vocêreceberá um alto e profundo badalo."