quarta-feira, 6 de maio de 2009

Meditação de um 5° Kyu - Sefirat ha Omer 2009 - Dia 28

"Aikido é União"
Nobreza na Tolerância

KOTE GAESHI – Técnica de defesa, que consiste na rotação da mão e por sua vez o pulso do atacante.

É um dos golpes mais interessantes de ser visto e um dos mais fáceis e de muita eficácia ao aplicar-se. Creio ser um dos golpes que se identifica visualmente que é pertinente ao aikido.

Se tenkan é um círculo realizado sobre um eixo vertical, kotegaeshi é o outro circulo realizado (em boa parte) sobre o eixo horizontal. Ao realizarmos o tenkan e em conjunto a este, no desequilíbrio aplicarmos o kotegaeshi estaremos traçando astralmente uma esfera tridimensional cujo ponto central seria o ponto médio entre o Hara do uke e o Hara do Nage. Kotegaeshi então é o eixo central da União proposta pelo Aikido. No eixo horizontal temos as energias provindas da energias ancestrais de uke e nage e no eixo vertical a energia ancestral provinda do céu e da Terra. Kotegaeshi é o encontro (pelo menos a nossa mente "pensa isso") do passado , presente e futuro. É a reunião das Moiras, que pela Roda da Fortuna teciam, mediam e cortavam o fio da vida humana. Moira, no singular grego, significa destino. Kotegaeshi simboliza o destino do praticante no seu caminho das artes marciais. Ontem, diferente de hoje, diferente do amanhã. Até que um dia não exista nem ontem, nem hoje, nem amanhã. Somente um estado de iluminação onde pensar e aconteer sejam imediatos e puros.

A Roda da Fortuna representa o décimo Arcano Maior do Tarot. Representa as situações de mudanças em nossa vida. Essas mudanças nos fazem sair de uma rotina que faz com que a vida tenha pouco gosto e variedades. Ora, a roda da fortuna vem trazer as novidades, as surpresas e assim trazendo um novo gosto para nossa vida. A roda da fortuna representa a garantia de cumprimento de um destino, representado pela lei de causa e efeito e também pela lei da compensação. Tudo leva a crer que de um jeito ou de outro o destino de uma pessoa será cumprido.

O número 10 para os pitagóricos era especial. Quando se somava o um (ponto) ao dois (reta), os três (superfície) como quatro (sólido) resultava-se no no número 10. Eles o representavam como um triângulo, que era chamado de “o triângulo perfeito”, denominado tetraktys, que significa conjunto de quatro elementos. Este número significava tanto para os pitagóricos que eles o viam como a base para tudo e acreditavam que o próprio Criador do Universo havia confiado ao tetraktys a alma dos seres, a fonte e a origem da Natureza. Com esse pensamento, eles revolucionaram o sistema numérico, criando o sistema decimal de numeração, usado por todos os povos ocidentais até os dias presentes.

10 é o número do cosmos. O paradigma da Criação. é a lei, a ordem, as regras. Os 10 mandamentos, as 10 pragas do Egito, 10 lepra e as 10 virgens da Biblia. 10 são os nomes de Deus. São 10 as sefirah da cabala. é o símbolo da Árvore da Vida. Na mitologia grega, ulisses navegou perdido no mar durante 9 anos, somente retornando para a casa no décimo ano. Tróia foi atacada por 9 anos, mas somente dominada no décimo ano.

Na cabala a sefirath Malkhuth, a número dez, o Reino, constitui o descenso de Kether ao mundo material e representa a Onipresença e Imanência divina em todas as coisas.

E você pensando que aikido era só dar uns "tombos" nos outros, né?

Onegai shimasu.

"Buy at the sound of cannons. Sell at the sound of trumpets" - Nathan Rotschild.

Um grande guerreiro japonês chamado Nobunaga decidiu atacar o inimigo embora ele tivesse apenas um décimo do número de homens que seu oponente. Ele sabia que poderia ganhar mesmo assim, mas seus soldados tinham dúvidas. No caminho para a batalha ele parou em um templo Shintó e disse aos seus homens:"Após eu visitar o relicário eu jogarei uma moeda. Se a Cara sair, iremos vencer; se sair a Coroa, iremos com certeza perder. O Destino nos tem em suas mãos."Nobunaga entrou no templo e ofereceu uma prece silenciosa. Então saiu e jogou a moeda. A Cara apareceu. Seus soldados ficaram tão entusiasmados a lutar que eles ganharam a batalha facilmente.Após a batalha, seu segundo em comando disse-lhe orgulhoso:"Ninguém pode mudar a mão do Destino!""Realmente não..." disse Nobunaga mostrando-lhe reservadamente sua moeda, que tinha sido duplicada, possuindo a Cara impressa nos dois lados.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Meditação de um 5° Kyu - Sefirat ha Omer 2009 - Dia 27

"Aikido é União"
Vínculo na Tolerância

TENKAN – Mudar, rodar. Movimento rotativo usado para dissipar a força do oponente.

TAI NO TENKAN – Ou simplesmente Tenkan. Qualquer exercício de rotação do corpo com a finalidade de aplicar uma técnica de defesa. Neste exercício o Nage executa uma rotação brusca sobre o pé onde se faz sentir a força do atacante.

Particularmente (interpretação minha), eu diria que tenkan representa a técnica ZERO, do aikido, pois representa a essência dos ensinamentos de O-Sensei no que diz em "dissipar" a energia do inimigo, absorver a energia oponente e devolvê-la como uma energia construtiva. Através de uma rotação. Através do círculo. Dado isso, chega-se a conclusão da associação do círculo com o número zero.

Zero representa o não-ser, a não-existência, a não-manifestação, o ilimitado, o eterno. Para Pitágoras a forma perfeita, a mônada. O ser adnrógino, completo. Antes do Um, há somente o vazio e a não-existência, a idéia do "último mistério", do absoluto imcompreensível. Para a Bíblia: "No início era o Verbo". Para os Hindus: "Om" a palavra primordial. Para os Gregos: Ouróboros (a serpente que morde a própria cauda) representando o microcosmo e o mundo além do material.

Essa rotação, esse giro, representa a forma perfeita,portanto a perfeição dentro do aikido. Já li em vários fóruns discutindo se o Irimi nage do Steven Seagal seria mais eficiente do que o de Sensei Christian Tissier pelo primeiro ser direto e o segundo utilizar de tenkan.

Vamos aos fatos: Sensei Christian Tissier realiza os dois Irimi Nage. Omote e ura. Sem e com tenkan. Cada situação determina a utilidade de cada tenkan. Então, creio que a discussão encerra-se aí. Quero abordar que, visualmente, quando se realiza tenkan para realizar alguma defesa, é notório, a beleza estética do que é visto. Ora, Platão já dizia que a beleza no mundo material só é uma mera representação da verdadeira beleza do mundo das Idéias. Então a beleza, que para nós (ignorantes) é estética, representa algo mais belo no mundo das idéias, ou seja, no momento de um tenkan bem realizado estamos presenciando simbolicamente a perfeição ideal na forma material. Seja ela amor, dedicação, grandeza, poder, etc.

Tenkan aliado aos outros cnico princípios representa a manifestação do kami no aikido. E como é a forma perfeita ela neutraliza o ataque, não por ele não ter sido bem executado e sim por ele, não sendo a perfeição, é distituído de sua falsa realidade. A sombra desaparece perante a luz. O "oposto" é neutralizado perante o tenkan.

Fisicamente falando, com tenkan, temos duas forças atuando a centrípeta (com o nage direcionando um dos vetores de nage para dentro) e a força centrífuga (como resultante da tangente criada pelo círculo de nage sobre uke). Óbvio que se soltarmos o uke, o mesmo será jogado para fora do círculo (engraçado como alguns físicos dizem que a força centrífuga é na verdade uma pseudo-força... a controvérsias..). Porém como a idéia é a harmonia Nage compensa esas força com a força centrípeta representando a força do amor para com uke. O Amor (representando a gravidade) não deixa uke escapar da esfera de nage. Temos então um reflexo do movimento dos planetas num simples, e belo movimento básico (porém avançado ao aplciar-se) do aikido.

Viagem? Sim? Não? Talvez? Independente de sua opinião, quando nage, vizualize-se como o sol, tendo uke como o planeta Terra. O Sol não está tão longe a ponto de deixar a Terra esfriar nem tão perto a ponto de queimá-la. Creio que esta seja o estado de espírito quando se raliza o tenkan. Mas é só uma mera opinião.

Onegai shimasu.

"Se as pessoas são boas apenas por temerem o castigo e almejarem uma recompensa, então realmente somos um grupo desprezível" Einstein, 1950

Um praticante Zen foi à Bankei e fez-lhe esta pergunta, aflito:"Mestre, Eu tenho um temperamento irascível. Sou às vezes muito agitado e agressivo e acabo criando discussões e ofendendo outras pessoas. Como posso curar isso?""Tu possuis algo muito estranho," replicou Bankei. "Deixe ver como é esse comportamento.""Bem... eu não posso mostrá-lo exatamente agora, mestre," disse o outro, um pouco confuso."E quando tu a mostrarás para mim?" perguntou Bankei."Não sei... é que isso sempre surge de forma inesperada," replicou o estudante."Então," concluiu Bankei, "essa coisa não faz parte de tua natureza verdadeira. Se assim fosse, tu poderias mostrá-la sempre que desejasse. Quando tu nasceste não a tinhas, e teus pais não a passaram para ti. Portanto, saibas que ele não existe."

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Meditação de um 5° Kyu - Sefirat ha Omer 2009 - Dia 26

"Aikido é União"
Humildade na Tolerância

GOKYU – O quinto princípio ou ainda uma técnica de defesa, que consiste em imobilizar o atacante pelo pulso e contra ao chão. Aqui encerro o estudo dos primeiros princípios. As cinco etapas antes de se atingir a faixa preta (ou , melhor, perder a faixa preta).

Cinco , para os Pitagóricos, representava o casamento por ser a junção do primeiro número feminino - 2 - com o primeiro número masculino - 3.

Na famosa figura de Leoanrdo daVinci, o homem de braços e pernas estendidos formando um pentágono, ou , uma estrela de cinco pontas, mostrada o homem como um microcosmo. Dentro do pentágono, podemos traçar uma estrela de cinco pontas, na qual, em seu centro, veremos a formação de um novo pentágono, isso ad infinitum, tornando o pentágono um símbolo circular.
As quatro direções cardinais tem em seu centro a fonte formadora, simbolizando cinco pontos.

Cinco também e o principal criador dos cinco poderes. Se temos terra, água, fogo e ar, teremos, também, o espírito como agente transformador destes quatro elementos. Cinco representa a integridade e a individualidade, além de representar as apirações intelectuais e deucacionais. São cinco sentidos. Os cinco dedos como o primeiro sistema de computação humana. Os cinco elementos dos orientais, madeira, fogo, terra, metal e água.

Na Grécia antiga, cinco representa a sexualidade, a sensualidade, a masculinidade e o Deus Hermes. Também o hiero gamos, o casamento dó céu e da terra, a luz e o Deus Apolo como seu portador, Prometeu, que trouxe fogo aos homens eLúcifer (aquele que traz luz).

Na Bíblia, o Torá, ou cinco livros de Moisés: Gênesis, Exodus, Levíticos, Números e Deuteronômios.

Na cabala a quinta sefirah Gueburah (ou Din) é o Rigor ou Juízo divino que nega tudo o que não é o Um.

Gokyo, portanto é o ele final básico da representação do Universo. Quando a energia do Céu, descer na Terra (e você cair no chão, seja como uke ou nage), gokyo será sua manifestação. Começamos com Ikkyo que mostra que tudo é um e compeltamos a esfera, o círculo, com gokkyo que reconhece essa verdade: Todos somos UM.

Onegai shimasu

"Um dia, a Terra vai adoecer. Os pássaros cairão do céu, os mares vão escurecer e os peixes aparecerão mortos na correnteza dos rios. Quando esse dia chegar, os índios perderão o seu espírito. Mas vão recuperá-lo para ensinar ao homem branco a reverência pela sagrada terra. Aí, então, todas as raças vão se unir sob o símbolo do arco-íris para terminar com a destruição. Será o tempo dos Guerreiros do Arco-Íris." Profecia feita há mais de 200 anos por "Olhos de Fogo", uma velha índia Cree

Certa vez, um homem encontrou Joshu, que estava atarefado em limpar o pátio do mosteiro. Feliz com a oportunidade de falar com um grande Mestre, o homem, imaginando conseguir de Joshu respostas para a questão metafísica que lhe estava atormentando, lhe perguntou:"Oh, Mestre! Diga-me: onde está o Caminho?"Joshu, sem parar de varrer, respondeu solícito:"O caminho passa ali fora, depois da cerca.""Mas," replicou o homem meio confuso, "eu não me refiro a esse caminho."Parando seu trabalho, o Mestre olhou-o e disse:"Então de que caminho se trata?"O outro disse, em tom místico:"Falo, mestre, do Grande Caminho!""Ahhh, esse!" sorriu Joshu. "O grande caminho segue por ali até a Capital."E continuou a sua tarefa.

domingo, 3 de maio de 2009

Meditação de um 5° Kyu - Sefirat ha Omer 2009 - Dia 25

"Aikido é União"
Tolerância na Tolerância

YONKYO – Técnica de defesa, que consiste na aplicação de uma enorme pressão com a base da parte interior do dedo indicador, sobre uma zona do antebraço, perto do pulso. Também o quarto princípio, Dai Yonkyo, Yonkajo, e Tekubi Osae, controlo do centro do adversário através do pulso, cotovelo ombro.

O Quatro representa a totalidade, a perfeição, a matéria, o estático (em oposição ao dinamismo do círculo), o racional, a completude.

Rerpesenta as quatro estações, para os gregos/magos o quatro elementos (fogo, terra, ar e água), os quatro ventos, as quatro direções (leste, eoste, norte e sul), os lados do quadrado, os braços da cruz, as fases da lua, os rios do céu e do inferno. A ordem da manifestação. Para os orientais os quatro tipos de temperamento: o sanguineo, o colérico, o fleumático e o melancólico.

Na Grécia representa o deus Urano além de ser o número de Hermes. Na Bíblia representa os quatro evangelistas, os quatro rios de Israel, os quatro Arcanjos, os quatro Cavaleiros do Apocalipse.

Para Pitágoras se Três era a sueprfície, Quatro é o sólido. Por exemplo, pontos somados geravam retas; a soma das retas gerava superfícies que, somadas, geravam os sólidos. Desta maneira, “um”, “dois”, “três” e “quatro” construíam ou geravam tudo! Estes números somados são iguais a “10”, motivo pelo qual o número “dez” era especial para os pitagóricos.

Se ikkyo é o elemento fogo, nikkyo: água, sankyo: ar, finalmente temos yonkyo representando o elemento Terra. Onde a vida se transcorre. Yonkyo nos dá a base para nos concetarmos à Mãe-Terra. É o início da fase da conexão Terra-Céu.

Na cabala o quatro representa quarta sefirah, Hesed, é a Graça, o Amor ou a Misericórdia que se irradia a toda a criação. Se ikkyo é o Aikido espiritualizado pela União, yonkyo é a materialização do aikido pelo Amor (e por conseguinte diferenciação do mesmo com outras artes marciais).

Enfim, quando sentir a dor de se levar yonkyo (e dói pacas) lembre-se de conectar-se com a egrégora do Aikido pelo sentimento do amor. Assim, consiga construir dia-a-dia novos bons hábitos.

Onegai shimasu.

Eu vou e volto.

Duas pessoas estavam perdidas no deserto. Elas estavam morrendo de inanição e sede. Finalmente, eles avistaram um alto muro. Do outro lado eles podiam ouvir o som de quedas d'água e pássaros cantando. Acima eles podiam ver os galhos de uma árvore frutífera atravessando e pendendo sobre o muro. Seus frutos pareciam deliciosos. Um dos homens subiu o muro e desapareceu no outro lado.O outro, em vez disso, saciou sua fome com as frutas que sobressaíam da árvore ali mesmo, e retornou ao deserto para ajudar outros perdidos a encontrar o caminho para o oásis.

sábado, 2 de maio de 2009

Meditação de um 5° Kyu - Sefirat ha Omer 2009 - Dia 24

"Aikido é União"
Compaixão na Tolerância

SANKYO – Terceiro princípio, técnica de defesa, que consiste na torção do pulso e braço, através da mão do atacante. Também se chama; Dai Sankyo, Sankajo, Kote Hineri. O Sankyo é uma técnica bastante dolorida e garante um bom "aprisionamento" do oponente. Além de deixar o nage com uma boa postura de "prevenção".

O Três é um número sacro em várias religiões. O Pai, o Filho e o Espírito Santo no catolicismo. Íris, Osíris e Hórus no Egito antigo. Bhrama, vishnu e Shiva no Hinduísmo. No xintoísmo temos a Jóia, o Espelho e a Espada como Jóias sagradas. Na filosofia representa: a teses, a antítese e a síntese. Na geometria plana representa o triângulo e na geometria espacial o primeiro sólido que grarante uma base sólida e estável. No esoterismo representa a alma, o espírito e o corpo. Enfim, representa a trindade que dá a estabilidade após a dualidade (aos opostos).

Para Pitágoras Três representa a superfície, é oprimeiro número masculino, é o primeiro filho, ou seja a criatura. É o efeito de nossos atos. é a diversidade, a criatividade, o crescimento, é o nascimento-vida-morte, é o começo-meio-fim, passado-presente-futuro, na alquimia é o mércúrio-sal-enxofre. é as três principais áreas do universo: o céu brilhante dos deuses, as trevas do mundo subterrâneo, e o mundo ilusório do homem.

Na cabala a terceira sefirah é Binah, a Inteligência, é a Grande Mãe ou Matriz Universal, geradora de todos os mundos e seres, aos que discrimina e forma só para devolvê-los novamente ao Um. Estas primeiras três sefiroth são em realidade uma só: Kether é o Conhecimento, Hokhmah o sujeito que conhece (ativo) e Binah o objeto conhecido (passivo).

Sankyo representa o próximo passo. Se ikkyo era a união, o princípio, Nikkyo era dualidade, Sankyo é a criação. Estes três elementos representam a harmonia no aikido. Creio que a meditação acerca destes três elementos deva levar o praticante a patamares nunca antes experimentados por ele. Sankyo é etapa final do "básico" do aikido. Representa a pergunta-resposta-conclusão, ou melhor, o conflito-ação-resolução.

Basta ter paciência e aprender com o tempo. Mesmo sabendo que este, na verdade, não existe.

Onegai shimaus

"O que é a felicidade de alguémque escolhe esconder a verdade de outro?" FMA

Certa vez Tan-hsia, monge da dinastia Tang, fez uma parada em Yerinji, na Capital, cansado e com muito frio. Como era impossível conseguir abrigo e fogo, e como era evidente que não sobreviveria à noite, retirou em um antigo templo uma das imagens de madeira entronizadas de Buddha, rachou-a e preparou com ela uma fogueira, assim aquecendo-se.O monge guardião de um templo mais novo próximo, ao chegar ao local de manhã e ver o que tinha acontecido, ficou estarrecido e exclamou:"Como ousais queimar a sagrada imagem de Buddha?!?"Tan-hsia olhou-o e depois começou a mexer nas cinzas, como se procurasse por algo, dizendo:"Estou recolhendo as Sariras (*) de Buddha...""Mas," disse o guardião confuso "este é um pedaço de madeira! Como podes encontrar Sariras em um objeto de madeira?""Nesse caso," retorquiu o outro "sendo apenas uma estátua de madeira, posso queimar as duas outras imagens restantes?"

(*) Sariras - tais objetos são depósitos minerais - como pequenas pedras - que sobram de alguns corpos cremados, e que segundo a tradição foram encontrados após a cremação do corpo de Gautama Buddha, sendo considerados objetos sagrados.Koan: Em que parte de um objeto fica o reverenciado Sagrado?

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Meditação de um 5° Kyu - Sefirat ha Omer 2009 - Dia 23

"Aikido é União"
Disciplina na Tolerância

Hoje discorrerei sobreo Nikkyo. Ou segunda técnica ou segunda fase de desenvolvimento. O nikkyo constitui-se do aprisionamento da mão do oponente com uma mão e torção do antebraço deste com a nossa outra mão livre.

É uma técnica que garante bastante resultado físico já que trabalha no limiar da dor do oponente, portanto ele logo desiste do ataque inicial. Nikkyo pode ser seguido por uma imobilização ou por uma projeção (por exemplo um kotegaeshi).

Nikkyo ou segunda etapa. Se Um era o Ponto. Dois é a reta. É a construção de uma ponte que permitirá ligar duas realidades. Se um era a união. O ser único. Dois é o auto-reconhecimento. É o Ser reconhecível como individualidade. É, segundo pitágoras, o primeiro número feminino. Portanto representa EVA, a mulher da criação. O instinto, o profundo, o intuitivo. Dois é a concentração de energia para a sua utilização posterior. É a primeira energia após a criação. Na Bíblia, é a dualidade de Jesus (e do ser humano por consequencia) Deus e homem. São os opostos. Cima e abaixo. Esquerda e direita. Sol e lua. Kether e Malkuth.

Na cabala , a seguinda sefirah é Hokhmah, a emanação primeira, é a Sabedoria divina pela qual a deidade se conhece a Si Mesma, e permite a todo ser reconhecer a Unidade em seu interior.

Note que a ordem é ikkyo, depois nikkyo. União depois individualidade. Ao reconhecer-mo-nos como um só ser mesmo separados fisicamente do tudo.

"Foi meu coração que escolheu esta jornada" - FMA

Difícil é nos libertarmos de maus hábitos, mas não é impossível...

O monge perguntou ao Mestre: "Como posso sair do Samsara (a Roda de renascimentos e mortes)?" O Mestre respondeu: "Quem te colocou nele?"

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Meditação de um 5° Kyu - Sefirat ha Omer 2009 - Dia 22

"Aikido é União"
Bondade na Tolerância

Começarei hoje a falar da primeira técnica, Ikkyo. O-sensei dizia, se não me engano: "kotegaeshi 5 anos, irimi, 10 anos, ikkyo,a vida inteira". Engraçado porque desprezamos muito o ikkyo em favor de outras técnicas ou mais visualmente bonitas ou que achemos mais eficazes...

Ikkyo quer dizer "primeira técnica". Primeiro, "UM", é o princípio de tudo. Do UM nasceu o DOIS , do DOIS o TRÊS e daí todo o universo. Podem haver mil retas, mas para que haja uma verdadeira união, todas devem convergir para somente UM ponto. Neo, no filme MATRIX era o THE ONE. O UM. O ÚNICO. Mas em inglês THE ONE também pode ser denominado como O ESCOLHIDO. O SALVADOR. Um é o ínício da criação. Para Pitágoras, UM é a razão, é DEUS. Um não é masculino nem feminino. UM é a UNIÃO.

Em síntese, UM é a base do aikido. Não existe aikido sem UNIÃO. Se você realizar qualquer técnica e não houver uma união sincera (mesmo que temporária), não é aikido. E como deve haver sinceridade e nós, homens, escondemos nossos desejos, ambições, medos etc., Um é um treino de uma vida.

Um na cabala é Kether (palavra que significa “Coroa”) é a realidade única, o mistério absoluto, a essência pura da qual emanam as restantes sefiroth. Do Umsurgem todos os outros números. De Deus surge todo o universo. Daí que não existe aikido sem Um, sem União, logo, sem Ikkyo.

Ikkyo não termina com a imobilização. Ikkyo vai além da imobilização. Ikkyo não começa com irimi. Ikkyo começa antes de irimi. Começa antes de nascermos (seu houve um começo) e termina depois de morrermos (se houver uma "morte" real). Basta apenas que na próxima vez que se execute Ikkyo, caia o véu da ilusão, e veja que, antes de uma técnica, você estará vivenciando Deus em você.

Onegai Shimasu

Um monge perguntou ao mestre: "Qual o significado de Dharma-Buddha?" O mestre apontou e disse: "O cipreste no jardim." O monge ficou irritado, e disse: "Não, não! Não use parábolas aludindo a coisas concretas! Quero uma explicação intelectual clara do termo!" "Então eu não vou usar nada concreto, e serei intelectualmente claro," disse o mestre. O monge esperou um pouco, e vendo que o mestre não iria continuar fez a mesma pergunta: "Então? Qual o significado de Dharma-Buddha?" O mestre apontou e disse: "O cipreste no jardim."

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Meditação de um 5° Kyu - Sefirat ha Omer 2009 - Dia 21

"Aikido é Harmonia"
Nobreza na Compaixão

A aprtir do próximo post irei iniciar, ou pelo menos tentar, discorrer sobre os aspectos filosóficos das técnicas de aikido. Comecei, em posts anteriores, a discorrer sobre o irimi. Agora será a respeito das outras técnicas e , sem reler o post doirimi, discorrer sobre ele novamente, para depois comparar, já que já perfazem 3 semanas do sefirah ha omer 2009!!!

Hoje, rapidamente, irei discorrer sobre a nobreza no aikido. Ser nobre,creio, começa antes mesmo de se chegar à academia, é no tipo de pensamento que nos leva à ela. Posso pensar em ir para descontar minha raiva, posso ir com o intuito de machucar outros, posso ir com vontade de me aprimorar, como desejo de me elevar espiritualmente, sem vontade alguma (como que indo sem vontade), enfim, vários tipos de pensamentos (nem preciso discorrer quais são nobres...).

Depois a nobreza já é feita durante o caminho. como observo o ambiente e me interajo com as pessoas. Como entro na academia, se sorrindo, se nervoso, se cumprimentando a todos, se prostando à figura de O-Sensei.

Durante a aula, se escuto e observo seriamente o que me é passado, se me esforço para dar omelhor de mim, se evito machucar meu colega embora me esforce pra técnica ser efetiva (mas com segurança).

No fim da aula, ser nobre é deixar quaisquer mal-entendidos pra trás. O que é feito no tatame fica lá. Assim como que o que se vive mal fora dele fique fora dele.

No retorno à casa, se volto com bons sentimentos, se me sinto mais evoluído que antes de sair.

E, finalmente, no meu dia-a-dia longe da academia, já que aikido é o caminho da enrgia e da harmonia, ele é feito no cotidiano. Quando tenho um desfecho harmonioso numa discussão (seja em casa ou no trabalho), quando tenho um embate com um conehcido ou estranho,enfim, quando consigo fazer a entrada correta, unificando-me com a enrgia contrária, faço aikido. Em minha opinião, modesta, O VERDADEIRO AIKIDO, O AIKIDO DA VIDA REAL E COTIDIANA.

Onegai shimasu

"Na China, havia um monge Zen, chamado mestre Dori, que, por fazer zazen empoleirado num pinheiro pára-sol, fora alcunhado de mestre Ninho de Passarinho.Um poeta muito célebre, Sakuraten, foi visitá-lo e, ao vê-lo fazer zazen, disse-lhe:"Tomai cuidado, que isso é perigoso; podereis, um dia, cair do pinheiro!""De maneira nenhuma," respondeu mestre Dori. "Vós é que correis perigo de um dia cair."Sakuraten refletiu. "Com efeito, vivo dominado por paixão, é como brincar com o raio". E perguntou ao mestre Zen:"Qual é a verdadeira essência do budismo?"Mestre Dori respondeu:"Não façais nada violento, praticai somente o aquilo que é justo e equilibrado.""Mas até uma criança de três anos sabe disso!" exclamou o poeta."Sim, mas é uma coisa difícil de ser praticada até mesmo por um velho de oitenta anos..." completou o mestre. "

terça-feira, 28 de abril de 2009

Meditação de um 5° Kyu - Sefirat ha Omer 2009 - Dia 20

"Aikido é Harmonia"
Compromisso na Compaixão

Estava pensando, nestes dias, na minha evolução no aikido. Faz 1 ano que entrei. Já tinha feito wushu mas nada que se comparasse às quedas que faço no aikido. Aliás, nem gostava de cair quando fazia wushu. Duas semanas atrás a mãe de um aluno me viu ser uke de minha sensei e, ao fim da aula, veio me elogiar quanto às minhas quedas. Fiquei lisonjeadíssimo. Mesmo sabendo que estou longe de ser um bom uke. Mas só isso já me abstou para provar que evolui do medroso para o "menos medroso" (rs). é engraçado que sobre os olhos não treinados pareça incrível o que façamos mas, nós que estamos dentro, sabemos que ainda há um longo caminho a trilhar.

Por isso, finalmente, entendi o que já diziam: a faixa preta é apenas o começo da jornada. Até então só estivemos nos preparando para sair de casa. E entendo quando algum sensei meu diz que ainda tem muito a melhorar quando os vejo realizar técnicas incríveis (para meus olhos destreinados). E gostaria muito de me aprimorar na auto-análise de minha evolução. Não quero parecer rígido demais nem condenscendente demais. Seguir o caminho do meio de Buda. Sem stress mas sem preguiça. O yudansha de domingo passado foi ao mesmo tempo um bom banho de água fria em meu ego (que estava se achando demais) e um excelente estimulante para o que posso evoluir pela frente!!!

Onegai shimasu

"Ao encontrar um mestre Zen em um evento social, um psiquiatra decidiu colocar-lhe uma questão que sempre esteve em sua mente: "Exatamente como você ajuda as pessoas?" ele perguntou. "Eu as alcanço naquele momento mais difícil, quando elas não tem mais nenhuma questão para perguntar," o mestre respondeu. "

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Meditação de um 5° Kyu - Sefirat ha Omer 2009 - Dia 19

"Aikido é Harmonia"
Humildade na Compaixão

Estava eu pensando se estou sendo humilde no caminho do aikido. Quero, como já dito na explciação da existência deste blog, evoluir-me tanto fisicamente/marcialmente quanto filosoficamente/moralmente com o decorrer dos anos. É uma das qualidades que mais observo em alguns faixa-pretas com os quais eu já observei. Pouquíssimo são aqueles que fogem à regra e não demonstram bom-caráter, respeito e humildade. Mas estes, deixo de lado pois não são referência para mim.

Eliminar a arrogância, ou melhor, entendê-la e dissipá-la é um dos caminhos mais penosos quando, no progresso da vida, vamos ganhando algum tipo de poder. Seja no trabalho, em casa, na academia ou em outro lugar,ao galgar postos superiores devemos ter em mente que é a experiência em algo que nos leva até lá. Mas isso não quer dizer que sejamos "o deus" daquilo. Que não necessitemos de ouvir outras pessoas. De ouvir suas opiniões. De colocar nosso ponto de vista quase de igual pra igual para com outros de posições abixo da nossa. Digo quase pois um cargo superior envolve responsabilidade. E essa responsabilidade nos dá uma certa pressão nas decisões. E nemtodas as decisões são agradáveis aos cargos abaixo do nosso. Mas mesmo uma opinião contrária nossa deve ser emoldurada de carinho e compreensão. Ela, caso tenha sido pensada com honestidade, pode ter sido a melhor naquele momento mas talvez não seja para todo o sempre, por isso, a necessidade do diálogo.

Algumas vezes já me senti superior com aqueles que dependiam de minha compaixão. Mas, neste ponto, graças a Deus foi um sentimento tão rápido quanto os segundos do relógio. E dependerá de muito esforço para que não se repita a ponto de tornar-se minutos, horas ou uma vida inteira.

Onegai shimasu.

"Assim, o homem, depois de suas buscas vãs de vários deuses, completa o ciclo e descobre que ,o Deus imaginado por ele, é seu próprio Eu"

Completando que este EU não é o Eu-egóico e sim o EU-mônada.